Márcia, as lições de quem vive uma viagem interminável

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Márcia, as lições de quem vive uma viagem interminável

Há sempre quem não se deixe ficar por pouco, a Márcia é uma dessas pessoas. Destemida, reflectida e com uma paixão pela descoberta vive as aventuras arriscando sozinha por novos caminhos. Esta é a história da viagem interminável de como uma mulher se descobriu a si própria ao descobrir o que a rodeia. Viver é um verbo que leva a peito e que lhe dá corda aos sapatos. Convido-te a ler a sua história de transformação e lições que partilha agora contigo.

 

-Sinopse de como nos descobrimos-

A Márcia encontrou o meu projeto Solo Adventures e foi nesse mesmo momento que eu a encontrei, tal como um livro de inspiração ainda por descobrir. Simpática, comunicativa e empática pelas palavras esta mulher não é de se deixar de lado. Espero que leias a sua sabedoria adquirida pela experiência com o mesmo entusiasmo com que eu a li.

 

-Sinopse sobre a Márcia-

Se a vida dela tivesse um cargo "wanderlust adventure traveler" seria o que ocupava o seu perfil de LinkedIn. Com 31 anos, profissionalmente é Directora de Marketing da London School of Design and Marketing e da mesma área é professora. Nasceu no norte do nosso país recortado à beira da Europa, mas sente que pertence ao mundo. Adita de desportos de aventura, praticante de stand up paddle e yoga, é também uma apaixonada por cães e pela natureza (não é a única, confesso). Percorre os caminhos sobre as duas rodas da sua moto. Viaja sempre sozinha para se desafiar pelo nível de intensidade e o choque cultural. Assim, já viveu na Índia, Turquia, Tailândia, Zimbábue, África do Sul, Zâmbia, Sérvia, Tanzânia, EUA, Malásia, Reino Unido, Singapura, França, Etiopia, Austria, Zanzibar (…) - escrevo 'viveu' porque a Márcia não se quer resumir a turista, ela quer antes de mais sentir e eu sei que isso, por experiência própria, requer imersão e contemplação.

 

 

 

 

-Lições de Vida na primeira pessoa-

da Márcia para nós.

 

 

A Índia transformou-me... para sempre!

 

Quando viajamos para países culturalmente distantes, é necessário termos abertura e tolerância para aceitar as diferenças e devemos estar preparados para uma realidade muito distinta, mas muito especial. Antes de iniciar o meu testemunho desta transformação pessoal, necessito que cada um de nós seja capaz de separar questões políticas e sociais dos valores culturais que refletem a verdadeira Essência do país.

 

Quantas vezes já ouvimos dizer: “A Índia, ou se ama ou se odeia”?

 

Confesso que quando tomei a decisão de viajar sozinha para a Índia, não tinha consciência da transformação que ia experienciar. A minha família opôs-se e os meus amigos tentaram demover a minha decisão alertando-me dos perigos (especialmente para as mulheres), da pobreza, das violações e do choque cultural. Apesar de na fase inicial sentir muito medo, algo dentro de mim, que até hoje não consigo explicar, dava-me força para seguir em frente e descobrir o que o mundo me tinha para oferecer.

 

E foi a descoberta mais incrível e maravilhosa da minha vida.

Uma descoberta sobre mim mesma.

 

Percorri várias cidades, aldeias, povoações e completei o Triângulo Dourado dos Marajás. Apesar de ser um país com uma beleza incrível, não nego que vi muita pobreza. Visitei instituições de solidariedade e centros de acolhimento e o meu coração ficou em mil pedaços, chorei algumas vezes quando fui confrontada com as deficiências físicas de algumas crianças e o sentimento de impotência foi avassalador. E muitas vezes precisamos ser confrontados com esta terrível realidade para percebermos que afinal, aqueles problemas que pensamos serem problemas, na verdade não o são. Não trocaria nenhuma destas experiências negativas por outras. As nossas decisões levam-nos à nossa experiência de vida e este é um processo que faz parte do nosso crescimento. E eu escolhi tomar consciência da realidade.

 

Apesar desta realidade, a Índia tem uma Essência muito forte e é impossível ficarmos indiferentes. Há quem pense que se trata de um país esquecido pelos Deuses... loucos os que pensam tal barbaridade, se há povo que admiro pela devoção que sente em relação aos valores culturais, são eles: os indianos. É um país com cheiros característicos, com uma gastronomia muito particular, com cor, muita cor e acima de tudo, uma fé inabalável naquilo em que acreditam. A história do verdadeiro Amor desenhou uma das mais belas arquiteturas no mundo, considerada uma das 7 maravilhas, o Taj Mahal. A devoção deste povo desenvolveu valores profundamente enraizados e respeitados no seio da família, são pessoas simples que aprenderam a viver com o que têm e ainda assim retiram o melhor da vida. Os casamentos seguem tradições mágicas e os funerais são celebrados com o defunto envolto em panos coloridos, carregado com vigor no meio da cidade enquanto recebe mantras sagrados transmitindo assim uma realidade diferente da morte. As peregrinações também são vividas de forma positiva e é comum encontrarmos grupos de pessoas a percorrerem centenas de km a pé, com fitas coloridas, música alta enquanto cantam e dançam durante dias e noites seguidas. Sou muito grata por ter vivenciado cada uma destas experiências.

 

Durante este tempo, acabei por conhecer muitas pessoas e o facto de estar sozinha é sem dúvida uma grande vantagem para termos uma imersão incrível noutra cultura. Interagi com os locais, senti toda aquela envolvência e devoção, comi a gastronomia indiana, meditei nos seus templos, conheci a sua História e fiz oferendas aos seus Deuses, habituei-me ao barulho constante das buzinas, aos semáforos que nunca funcionavam, à carne pendurada ao sol...conheci e vivi uma realidade diferente da minha, com as coisas boas e más.

 

Quando regressei fui completamente invadida por um sentimento de nostalgia em abandonar um país tão maravilhoso e profundo mas, ao mesmo tempo, senti-me forte, foi uma aprendizagem constante e um enriquecimento pessoal indescritível. Termos a coragem e a determinação em nos colocarmos fora da nossa zona de conforto de forma consciente e propositada, ajuda-nos a colocar a vida noutra perspetiva e a relativizar todos os problemas. Experiências destas são de uma riqueza imensa, quase nada se assemelha a isto. 

 

Esta não foi uma viagem ao exterior, mas sim, ao meu interior...

 

A Índia ensinou-me... a importância do respeito e tolerância principalmente no que diz respeito à cultura e à religião. Cada um vive em função daquilo que lhe foi incutido na sua aprendizagem e experiência de vida. Ninguém nos dá o direito de criticar ou discordar do que quer que seja. Não temos que concordar mas, temos que aceitar essas diferenças. Se atualmente muitos países vivem em guerra, deve-se e muito a essa falta de respeito e tolerância.

 

A Índia ensinou-me... que devemos confiar numa força superior que nos guia para o caminho da luz. Não importa a religião ou o Deus em que acreditamos, desde que sejamos capazes de seguir os valores que acreditamos serem os mais corretos tais como o amor, a bondade, a família, o respeito ou o sentimento de inter-ajuda. Neste processo de aprendizagem é muito importante mantermo-nos fiéis àquilo que acreditamos sem nunca fecharmos a porta às crenças de outras pessoas e é maravilhoso perceber que nós somos um conjunto de muitas coisas. Não há mal nenhum em conhecer outras religiões ou fazer parte de algumas tradições, desde que estejam em conformidade com aquilo que acreditamos.

 

A Índia ensinou-me... que pouca importa aquilo que temos, a roupa que trazemos no corpo ou os sapatos que calçamos. Somos todos iguais, nenhuma profissão ou nenhuma roupa deve definir quem somos. É importante praticar a lei do desapego, daquilo que não nos acrescenta, daquilo que não nos permite crescer e daquilo que não nos torna pessoas melhores. É necessário libertarmos-nos dos bens materiais e situações supérfluas porque no final só conta aquilo que nós somos.

 

A Índia ensinou-me... que o sentimento mais bonito e mais puro à face da terra chama-se Amor. E nada nem ninguém o poderá destruir se ele for forte, verdadeiro e acima de tudo, se ele nascer em primeira instância, dentro de nós próprios. Cultivar o amor próprio é o primeiro passo para amarmos o próximo.

 

A Índia ensinou-me... que é importante termos tempo para nós próprios. É importante meditar, refletir e acima de tudo, confiar. Temos que agradecer todos os dias e temos que praticar o bem diariamente para sermos pessoas melhores. A conexão connosco próprios só acontece quando nos libertamos e quando damos o melhor de nós.

 

Gostavas de conhecer mais sobre esta Solo Adventurer?

Passa pela "Volta ao mundo" aqui e/ou  "A próxima paragem" aqui.

 

 

Boas Aventuras,

Solo Adventurers Joana & Márcia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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