Inês Freire Andrade, uma vida de causas

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Inês Freire Andrade, uma vida de causas

Se escolhesses um super poder qual seria? Eu costumava dizer o do teletransporte, mas aposto que a Inês diria o da empatia e provavelmente para o distribuir por tod@s! Vais ter de ler esta história e lições de vida para te inspirares a ser mais pessoa entre as pessoas.

 

Sinopse de como nos conhecemos

A filosofia ubuntu trouxe-me muitas pessoas e até alguns reencontros. Já te aconteceu conheceres alguém e achares que aquela cara não te é estranha mas não sabes de onde? Foi essa a sensação que ambas tivemos até conseguirmos puxar pela memória e situar o denominador comum: PPL, a plataforma de crowdfunding em Portugal. A Inês em 2016 estava como estagiária no PPL e eu a trabalhar na Associação Conversa Amiga, ambas estavámos a preparar uma reportagem sobre o projeto Cacifos Solidários.

 

Sinopse sobre a Inês

 

A Inês Freire Andrade é uma mulher de causas e uma "visionary pacifist". Ela é uma das fundadoras da associação "No Bully Portugal" que pretende acabar com o bullying em Portugal e representar em território nacional a organização americana "No Bully" fundada em São Francisco no Estados Unidos da América, em 2003, por Nicholas Carlisle.

 

Como é que uma pessoa chega a este momento da sua vida? Ela conta-nos tudo.

 

"Ao longo do meu crescimento, desempenhei vários papéis. Comecei como a filha querida e responsável, passei para a colega maria-rapaz e agressiva, fui a “croma” excluída da turma, a amiga dedicada, tornei-me a líder de vários movimentos. As relações nem sempre foram fáceis, e o bullying foi um fantasma sempre presente. Hoje, dedico-me à promoção da empatia e da colaboração, como formas de apagar este fantasma tão presente nas escolas.

 

Família - Ser sortuda

 

A família é a base de tudo, e eu tive uma grande sorte com a minha. Uma Mãe e um Pai dedicados, carinhosos, exemplos de sucesso na vida e no trabalho, deram-me acesso a tudo o que poderia precisar para atingir o meu potencial. Um Irmão amigo mas sempre em competição comigo, fomo-nos desafiando um ao outro para fazer mais e ser mais. Avós carinhosos, uma Madrinha sempre presente, uma grande família unida.

Fui uma filha “fácil” – bem-comportada, saudável, responsável, boa aluna. Sempre detestei sermões, por isso fazia tudo o que era suposto, para ter a certeza que não me chateavam. Passava tardes a organizar os bonecos da Playmobil, a inventar negócios e sociedades secretas. Queria ser adulta e ter responsabilidades à séria, ser criança parecia não ter grande sentido.

 

Infância - Ser "maria-rapaz"

 

Há uma lenda que diz que todos temos 2 lobos dentro de nós: um carinhoso e um agressivo. Qual é que ganha? Aquele que alimentamos. Sempre tive muito carinho para dar, detesto conflitos e a ideia de causar dor ou destruição; mas também tenho um lado agressivo, um fascínio pelas artes marciais e uma raiva interior que nem sempre sei lidar. Desde que me lembro que sou “maria-rapaz” – detestava brincadeiras de raparigas, usar roupa de menina, preferia passar as tardes a jogar futebol com os rapazes. Esta duplicidade nem sempre foi fácil, porque parecia que não pertencia a nenhum lado, e que esperavam de mim algo que não era.

 

Primária - Ser bully

 

Ao longo do meu crescimento, desempenhei vários papéis nos grupos por onde passei. Tudo começou na primária: tinha um colega que era especialmente diferente e mais sensível que os outros. Era muito fácil gozar com ele e fazê-lo sentir-se inferior – tornei-me na sua bully. Apesar de o considerar meu amigo, todas as semanas o fazia chorar por algum comentário mais maldoso ou uma brincadeira mais agressiva. Na altura, não percebia porque estava a fazer algo de errado. Obviamente que hoje sei que não o estava a ajudar. A única coisa que posso esperar é que isso não o tenha afetado demasiado para causar marcas no seu futuro.

 

Adolescência - Ser alvo

 

Quando mudei de escola para o 5º ano, tudo mudou. Não me adaptei à minha nova turma, passava os intervalos sozinha, a ver filmes na biblioteca (devo ter visto cada filme umas 10 vezes). Foquei-me nas disciplinas, queria ser a melhor aluna – rapidamente me tornei a “croma” da turma. O bullying não era direto, mas sentia-me excluída. Só passados 2 anos é que consegui integrar-me, ao criar amizades que ainda hoje são tão importantes para mim. Encontrei o meu lugar, desenvolvi projetos com o nosso professor favorito, sentia-me bem. Mas isso não impediu um colega mais popular de um dia começar a implicar comigo, só porque lhe fiz frente. Uniu-se aos colegas e espalharam histórias fictícias sobre mim, ligaram e enviaram mensagens a gozar comigo, confrontaram-me várias vezes nas aulas. Ninguém me ajudou e eu não sabia como me livrar daquilo. Só parou passados vários meses de “perseguição”, quando lhes respondi de forma tão indiferente que deixei de ser um alvo divertido.

 

Secundário - Ser protetora

 

No 10º ano, mudei para o Liceu Camões, mas desta vez ia acompanhada das minhas melhores amigas e tudo foi mais fácil. No entanto, na minha turma havia de novo pessoas que gostavam de se divertir à custa dos outros. Um colega era impedido pelos outros de falar na aula por ser homossexual, outra levava com cuspidelas e paus enquanto lhe chamavam “rato do esgoto”, outra era gozada sempre que dava a sua opinião, com insultos que a levavam facilmente a chorar.Várias vezes tentei protegê-los e levar os outros a pararem, mas não sabia o que fazer nem a quem recorrer. Os adultos à volta nada faziam. Na verdade, também eles sofriam às mãos sádicas dos meus colegas. No 12º as minhas amigas e eu criámos um Movimento na escola para promover a cultura, a ação social e os talentos dos alunos. Acabámos por integrar muitos jovens que estavam mais à parte, de anos e áreas diferentes, e criámos iniciativas que duraram vários anos. Tornou-se um “porto de abrigo” para os mais inadaptados.

 

Licenciatura - Ser "desenrascada"

 

Chegou a altura de decidir o curso. Gostava de muita coisa, mas ainda não sabia que papel queria ter na sociedade. Pensei “como posso ser mais útil?” Acabei por escolher Gestão na Católica, com o objetivo de desenvolver projetos na área social. Na verdade, foi um curso frustrante e pouco interessante. A adaptação também não foi fácil, o ambiente era fechado, as aparências contavam muito, de novo não me encaixava. O que me “salvou” foi juntar-me ao BET (bring entrepreneurs together) – uma organização de estudantes que promovem o empreendedorismo e a inovação na universidade. Neste grupo de jovens dinâmicos, ganhei à vontade para meter conversa, confiança para falar em público e aprendi a “desenrascar-me” quando as coisas tinham de ser feitas.

 

Voluntariado - Ser persistente

 

Fui voluntária do Re-food desde os 16 anos, sempre com um sonho: levar o projeto para a minha zona, o Parque das Nações, onde há muitos restaurantes (e desperdício alimentar), ao mesmo tempo que as pessoas nos bairros à volta vivem sem as condições básicas de subsistência.

Demorámos 2 anos a conseguir abrir o núcleo, um processo moroso e frustrante, no qual muitos abandonaram o barco. Finalmente, conseguimos entrar em funcionamento, e ajudar muitas pessoas com refeições diárias, mas alguns colegas duvidavam da minha capacidade de liderar uma equipa de pessoas mais velhas e experientes. Passado 1 ano, a pressão destas pessoas para eu sair tornou-se demasiada. O meu sonho estava concretizado, era altura de dar o lugar a outros.

 

Mestrado - Ser dedicada

 

A minha paixão pelo empreendedorismo social manteve-se, e finalmente pude estudar para aquilo que queria ser, na Nova SBE. Lá pude aprender muitas ferramentas novas, pô-las em prática, e conhecer colegas com as mesmas aspirações de alcançar impacto social.

No fim do mestrado, deram-me a oportunidade de continuar na Nova, no departamento de Liderança para o Impacto, com o objetivo de promover a mentalidade do impacto social nos atuais e futuros gestores portugueses. Trabalhei e aprendi com pessoas fantásticas, e contribuí um pouco para esta missão.

 

Empreendedorismo Social - Ser empática

 

Quando trabalhei na empresa de formação da minha mãe, queríamos devolver algo à comunidade, e, por mero acaso, encontrámos a No Bully, uma organização americana que desde há 15 anos cria escolas livres de bullying. Identificámo-nos imenso com o seu programa de intervenção e decidimos trazê-lo de São Francisco para as escolas portuguesas!

 

Ao dedicar-me a este tema nos últimos 3 anos (2016-2019), descobri que, em Portugal, 1 em cada 3 jovens sofre de bullying regularmente, tal como eu sofri e vi sofrer. E por isso decidi dedicar os meus próximos tempos a esta causa, com o objetivo de dar ferramentas a todas as comunidades escolares para parar o bullying.

 

Futuro - Ser muito mais

 

Como veem, desempenhei muitos papéis nestes 24 anos, e sei que ainda me esperam muitos outros. Em breve, serei mulher do meu atual namorado, se tiver sorte, serei mãe de alguém, serei aluna, serei professora, serei seguidora, serei líder…

 

O que sei é que quero ter um impacto positivo à minha volta, dar o melhor de mim aos outros, e, com sorte, ter a possibilidade de concretizar a minha missão de vida: revolucionar a Educação, para um futuro com Empatia para todos"!

 

Entre esta partilha e agora a Inês já casou, continua em força nos seus projetos e deu mais uns passos no sentido que aponta para a sua missão de vida. A ti e a mim, só nos cabe dizer: força a todas as "Inêses" que existem por aí, de todos os formatos e cores. Lembremo-nos sempre de ser gentis.

 

 

 

 

Lições de vida na primeira pessoa

-da Inês para nós-

 

1- "Todos nós temos luz e escuridão dentro de nós. O que importa é a parte em que escolhemos agir. Isso é quem realmente somos" (Sirius Black - Livros Harry Potter) - costumo falar desta ideia nos workshops que dou sobre bullying a adultos, que tendem a pensar que uns alunos são "santinhos" e outros "mauzões". Lembro-os de que todos nós já fizemos coisas simpáticas e desagradáveis a outros, todos temos ambas as capacidades, mas que podemos escolher qual queremos que nos defina em cada momento.

 

2- “Se quiseres saber como é um homem, vê como ele trata os seus inferiores, não os seus iguais.” (Sirius Black) - quer seja as pessoas mais frágeis, quer seja animais indefesos, acredito que a forma como os tratamos é o que nos define como pessoas, muito mais do que como somos com os nossos pares. Os bullies atacam sempre quem lhes parece mais frágil por alguma razão, e por isso é que o bullying se perpetua, porque eles não se conseguem defender.

 

3- "Olho por olho vai criar um mundo de cegos" (Gandhi) - algo que acredito muito, a vingança e retaliação só levam a mais destruição e dor. Tento reger-me por este princípio, e, mesmo quando me prejudicam, não procurar "vingar-me" das pessoas, apenas defender-me e resolver o melhor possível as disputas. Isto depois da irritação me passar, claro! 😉 

 

4- "Tudo parece impossível, até que seja feito" (Nelson Mandela) - gosto de acreditar que podemos sonhar alto e transformar os nossos desejos para o mundo realidade, se estivermos dispostos a trabalhar e a lutar para isso!

 

5- "Aqueles que são loucos para acharem que conseguem mudar o mundo, são os que o mudam" (Steve Jobs) - é preciso um pouco de loucura para acreditar que se consegue fazer a diferença, mas a verdade é que alguns de nós o fazem!

 

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Boas Aventuras,

Joana Feliciano e Inês Freire Andrade

 

 

 

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