Crónica “Flutuar Sobre Ondas“ | Fiz sem pensar, juro!

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Crónica "Flutuar Sobre Ondas" | Fiz sem pensar, juro!

March 31, 2019

Somos seres altamente domesticados, já pensaram nisso? Ao ponto de, já adultos, sentirmos um medo arrepiante de saber o que somos na realidade. Foi algo que tenho ouvido imenso pessoas falar nos seminários e formações que tenho presenciado nos últimos anos, e isso fez-me questionar muitas vezes do porquê desse estado inquietante se, a grande maioria de nós hoje não se sente realmente plena a todos os níveis de existência. É aquela força invisível com efeito “pele de galinha” (buuuuuuh), esta força está em todo o lado, atinge o visível e até mesmo o invisível, tem a brilhante capacidade de até mesmo invadir o nosso corpo sem muitas das vezes pedir autorização, olha a marota!

 

 

 

 

Pois é, nós não tivemos a oportunidade de escolher tudo o que havíamos de acreditar ou não, acolhemos numa primeira fase a informação (valores, regras, comportamentos, hábitos, crenças, tradições e outras especificidades culturais) de todos os seres humanos que proporcionaram a nossa sobrevivência ao longo do estágio inicial da vida. As neurociências constatam que o desenvolvimento do cérebro humano nos primeiros sete anos de vida encontra-se sujeito a uma elevada vulnerabilidade na aprendizagem da criança, sendo dominantes nesta fase as frequências cerebrais mais baixas ou ciclos de onda de maior comprimento (delta, theta e alpha), mas isto quer dizer o quê?

 

Resumidamente, significa que a grande maioria de nós não sabe quem é, ou apenas julga que sabe, mas não lhe passa sequer pela cabeça que não é quem é na realidade, mas que confusão! Somos como discos rígidos altamente sofisticados e completamente apinhados de programas criados e inseridos por outros discos igualmente programados e cheios de conteúdo que entretanto no tempo e espaço deixou de ser actualizado, mas garanto-vos que continua a funcionar, tudo se tem vindo a repetir, apenas mudam as vestes e arranjam-se outros tipos de artefactos.

 

Chegamos ao mundo simplesmente perfeitos, ponto. Sim utilizo apenas aqui esta palavra que ironicamente tem tanto sofrimento a si agregada (porque dá jeito que assim seja), a perfeição existe sim, nascemos com ela, depois estragamos tudo e andamos vidas inteiras a tentar alcançá-la impregnados de sujeira até à ponta dos cabelos (para quem ainda os tem, para os restantes pode-se considerar a ponta das unhas), ai poderá ser caso para dizer: será praticamente impossível atingir a perfeição!  

 

A minha acepção de perfeição se calhar poderá ser ligeiramente diferente do que a maioria de nós a poderá idealizar. Quando penso neste conceito, não concedo unicamente uma imagem e sim uma impressão que passa no estômago e me faz rir, uma intuição de que tudo está como tem de estar e é como tem de ser, é fantástica a sensação de liberdade e da queda de todos os sacos de areia presos nas costas…mas infelizmente é apenas momentâneo, passados segundos lá vem a identificação com os pensamentos do nosso cómico ego e pumbas, toca de voltar a colocar nas costas todo o peso ilusório do mundo.

 

Perfeição é para mim, ter a plena consciência no momento presente de que já sou tudo aquilo que preciso de ser agora, nem mais nem menos e que não poderia ser de outra forma, não é nada advindo do exterior a mim, está dentro (completamente estrangulada na maioria das vezes). Mas calma que não fica apenas por aqui, isto porque já existem muitas pessoas que implementam na sua própria vida este principio, falta apenas referir que será apenas possível no momento em que conseguirmos que a essência de cada um preencha e obtenha o total domínio do nosso corpo físico, mental, emocional e energético, ou seja, sem as máscaras ou cascas de cebola que constroem um ego e dão forma à tão aplaudida personalidade (ou múltiplas), às variadas identidades num único corpinho e ausente história pessoal de cada um. Respiremos, um passo de cada vez.  

 

Estamos aqui porque alguém cuidou de nós, independentemente da qualidade do cuidado, o facto é que teve de haver uma pessoa, ou mais, no tempo e espaço a prover as nossas necessidades básicas. Ao observar toda a logística necessária para o seu acompanhamento, caíram-me algumas fichas que até então não dava grande importância. E sinto que aqui está também uma alavanca para o entendimento de variadíssimas questões comportamentais advindas. O ser humano quando nasce é totalmente dependente dos demais para a sua própria sobrevivência, vem desprovido de aptidões motoras (pequenino, frágil e tão fofinho) e ao nível sensorial vai desenvolvendo capacidades que lhe permitem apenas absorver informação através da sua leitura e percepção da vibração energética no seu meio envolvente (pessoas, animais, espaços, objectos, intensidade sonora e tonalidade de cores).

 

Tenho um enorme respeito e admiração pelos mais novos, pela coragem que têm todos os dias de se deslumbrarem e em nos mostrar (adultos) com toda a sua inocência quais são as emoções mais transformadoras e como poderíamos viver de uma forma mais leve e simples, sem perderem durante algum tempo a capacidade de sorrir mesmo ao vislumbrarem faces tão gélidas e sombrias, aliás, cada um de nós já soube algures no tempo, mas perdemo-nos e hoje somos as crianças de outrora a promover o estrangulamento emocional das presentes e futuras.

 

Tem sido pelo contacto com elas e ao observá-las que me tenho relembrado de coisas então perdidas no tempo, e é a todas elas que dedico os milhares de horas que tenho investido na busca pela libertação da alma, para mim cada criança surge na vida de cada um para nos abanar o esqueleto ou tocar simplesmente o nosso coração.

 

Cada um de nós é aquela criança fantástica que existiu e irá existir para toda a eternidade, é quem nós somos verdadeiramente, não vale a pena negar. Apenas se foi anulando ao longo dos anos, por amor foi inconscientemente adoptando crenças e atitudes para agradar aos seus progenitores ou ademais tutores.

 

Até aos cinco anos de idade (variável), a maioria das crianças permanece grande parte do dia em frequências cerebrais do tipo Theta (ciclos de ondas entre os 4 e 8 Hz), trata-se de um estado sonolento fantástico que permite com maior facilidade assimilar informação e acesso a memórias (aliás muito utilizado por especialistas em tratamentos de índole psicológica através da indução do paciente à fase de relaxamento, reflexão interior, reprogramação do sistema de crenças e meditação, entre outras), criatividade e aprendizagem. A partir dos 5 anos as frequências flutuam entre as Theta (cada vez com menos intensidade) e Alpha que nos possibilita ter maior consciência dos processos internos e percepção dos nossos pensamentos, trata-se de um estado de memorização (criação de hábitos) e com imensa imaginação e visualização (lembram-se dos amigos imaginários?).

Neste estado, a mente que permanece mais activa é a inconsciente (ou subconsciente) que não apresenta capacidade analítica ou de avaliação relativamente ao que nos é transmitido ou por nós percepcionado ao nível sensorial. Quando estamos neste estado a grande maioria do que ouvimos fica registado, armazenado e garantido como verdade suprema, sem questionamentos. Tudo e todos os que mantém contacto connosco durante esta fase de construção do Ego, têm extremo impacto no nosso comportamento nas fazes seguintes da vida.

 

Claro que está apenas referido aqui de forma muito simplista o motivo de algumas vezes ouvirmos dos outros “és teimosa como a tua mãe!” ou “feitiozinho do pai, é difícil a miúda!”, e já repararam que nunca são associações com conotação positiva? Com a excepção dos nossos progenitores pois está claro, mas só quando fazemos algo que na percepção ilusória deles acontece de bom, e guerrilham como se fossemos propriedade que tem de levar uma bandeira a dizer “genes bons da mãe/pai”. Isto para quem os tem, mas o processo é idêntico para todos aqueles que foram criados por outros seres humanos.

 

Durante alguns anos não se dá conta de nada, mas como que por magia entre os 25 a 35 anos (varia com o nível de consciência de cada um), se conseguirmos distanciar-nos e observar o nosso estado de cima e começarmos a prestar atenção aos pormenores da nossa vida, ou melhor, às escolhas que fizemos ao longo do tempo, sem dúvida que vamos encontrar muitas escolhas irreflectidas (sai automaticamente, porque será?) e muitas vezes baseadas no medo de não ser aceite, mas isso será outra conversa.

 

Agimos na maioria das vezes de forma inconsciente, e não é que fazemos exactamente aquilo que tanto nos sugeriram? Instalação de software realizada com sucesso, parabéns malta, estamos aptos para fazer perpetuar também no tempo toda a carga de medos, resistências à mudança, bombardeamento de julgamentos e mais, e mais sofrimento desnecessário.  

Ninguém nasce ensinado, em cada momento todos dão o seu melhor, os nossos pais ou tutores fizeram o melhor sempre! Será fundamental termos a consciência de que eles também foram programados, os avós e bisavós, e daí por adiante. Não existe culpa nem culpados, vamos deixar de ser vítimas e estar em constante lamentação do passado, foi tudo como tinha de ser, vamos sim aceitar e aproveitar todas as oportunidades para evoluir. Hoje (aqui e agora) temos todas as ferramentas, todos os instrumentos para sermos a melhor versão de nós mesmos, os nossos antepassados deixaram sabedoria, experiências para cada geração seguinte avançar e aperfeiçoar, nenhum esforço ou vida foi em vão.

 

O meu convite nesta fase terá como princípio o de começar a reaprender com as crianças que fomos e plasmar nas que somos hoje, para isso partilho uma prática que fiz que me ajudou a olhar para mim de uma forma completamente diferente, atenção que aqui apenas serão transmitidas experiências simples e claras (já chega de segredos e bichos papões), basta para isso flutuar sobre ondas.

 

A minha sugestão é apenas que vasculhem em álbuns de família com fotografias vossas de infância, permitam-se a uns minutos apenas para olharem essas imagens, observem essa criança, percepcionem o que ela estava a sentir (fartei-me de chorar e rir ao mesmo tempo, não se foquem nos penteados e roupas please). Tirem uma fotografia com o vosso telemóvel da vossa imagem em criança que mais gostem. Olhem para ela durante os dias seguintes. Este comportamento tão simples tem um poder enorme em abanar estruturas internas, relembrar memórias, vontades, sonhos, será impossível não se apaixonarem por vós.   

 

Finalmente nos voltamos a encontrar,

 

“Worrying is praying for something that you don’t want. So stop worrying!”

Bhagavan Das

 

*texto escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico

 

 

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