Tânia, as lições de quem vê o copo cheio quase a transbordar

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Tânia, as lições de quem vê o copo cheio quase a transbordar

April 13, 2019

Quem é a Tânia? É um sorriso de olhos, uma cabeça de sonhos, duas mãos de fazer acontecer e ouvidos de escuta pela tolerância. Sabe muito bem cuidar daquilo que cativa e lutar por aquilo que defende. A sua vida está marcada pela aldeia,  o associativismo, a liderança, as crianças, o amor e a educação. Ela tem muito que guarda, mas ao mesmo nível também tem muito que partilha.

 

-Sinopse de uma amizade-

A amizade da Tânia veio num daqueles pacotes "inscreve-te e leva mais do que imaginas". Não foi uma promoção, um descontozinho ou cupão. Esta amizade foi construída e não comprada no decorrer da Academia de Líderes Ubuntu, a qual já por aqui falei algumas vezes pelas melhores razões. Tenho muito carinho pela Tânia e respeito pela pessoa que é e o que representa. Sei que amizades a longa distância requerem pingos de investimento e sol de abraços, espero que a nossa cresça e perdure. Enquanto isso havemos nos de cruzar a meio caminho. Onde eu estiver terás sempre mais uma casa.

 

-Sinopse sobre a Tânia-

 

O ano de 1987 trouxe entre muitas das personalidades ao mundo a Tânia Martins como uma brisa naquele verão de julho. Filha do norte de Portugal desde 2016 vive em Braga. A sua infância foi feita numa aldeia, algo que para ela tem grande significado: "sinto, hoje, que faz a diferença este ter uma aldeia na história. Fui habituada a conhecer toda a gente pelo nome, a saudar cada um com quem me cruzava na estrada. Fui habituada a ir a pé para a escola e para a catequese, a ser surpreendida com as alfaces, as couves e os frutos que os vizinhos tiravam do campo e nos deixavam à porta como um presente, a participar nos passeios convívio e nas festas da freguesia, a cantar as janeiras, a encontrar as portas de casas abertas, mesmo que não anunciasse a visita e a percorrer as casas com o compasso, por alturas da Páscoa. A Capela (nome da aldeia, em Penafiel) deu-me os princípios, os valores e as bases para que pudesse ganhar asas e voar, mantendo sempre algo de mim por lá e mantendo muito da aldeia em mim".

 

A sua adolescência teve ares de cidade. Da aldeia saltou para o Porto aos 16 anos e foi aí que seguiu o seu percurso académico formando-se em Psicologia, no ramo de Intervenção Psicológica, Educação e Desenvolvimento Humano.

 

A sua vida foi preenchida por muito associativismo e é essa a palavra chave do crescimento - tanto o seu como de quem a rodeou.  A sua primeira experiência de voluntariado foi aos 12 anos, no Clube Caça Cigarros, um projeto da Liga Portuguesa Contra o Cancro, e, desde então, tem estado sempre envolvida em projetos nesse regime.

 

Esta vontade de fazer por si e para os outros passou por várias estruturas como a Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto e a Federação Académica do Porto (FAP).

 

Foi no âmbito do seu trabalho na Federação e "da ideia de que as Federações/Associações Académicas não são apenas organizadoras de festas e eventos académicos, têm também uma forte preocupação de responsabilidade social" que surgiu "dos estudantes da academia do Porto terem um espaço onde pudessem colocar em prática as competências da sua área em ações de voluntariado num bairro da cidade do Porto". 

 

A FAP no Bairro foi criada como um "centro comunitário, gerido e dinamizado por estudantes, que colocam os seus conhecimentos em prol da comunidade. Iniciou no bairro do Carriçal e já abriu, entretanto um outro espaço, no bairro Pinheiro Torres. Neste espaço, crianças, jovens e adultos começaram por ter acesso a computadores e internet. Os mais pequenos faziam os seus trabalhos de casa na FAPno Bairro, auxiliados por estudantes universitários, e esse apoio pedagógico refletiu-se, desde cedo, na melhoria significativa dos resultados escolares. Além disso, dá-lhes referências/ exemplos, constituindo-se muitas vezes os estudantes como modelos de referência. Hoje, já é muito mais que isso: tem proporcionado às comunidades onde se insere experiências únicas, na maioria das  vezes, em parceria com as Associações de Estudantes".

 

A Tânia fez muito dentro das salas de aula mas fora delas também aprendeu: "passei por vários cargos de Direção, tive que gerir conflitos e tive o privilégio de contactar com o melhor e o menos bom da sociedade e da política. Assumi como minhas causas que defendi em muitas instâncias. Aprendi a lidar com diferentes tipos de público. e conheci a sensação de concretizar sonhos! De ver no terreno ideias que nasceram na cabeça de equipas que me ensinaram a fazer acontecer".

 

Esta vontade de querer ajudar o mundo carregando-o nos braços veio de muito cedo e naturalmente passou para a sua profissão: "iniciei a minha carreira num centro de acolhimento temporário, onde conheci o amor à profissão. Trabalhei com famílias desestruturadas e acompanhei crianças acolhidas, individualmente ou em grupo. Acompanhei visitas de famílias biológicas e processos de adoção. Desenhei projetos de vida e senti o peso dessa responsabilidade. Aprendi a ouvir todos os lados de uma história e percebi que, por muito feia que a realidade seja, há sempre uma história que poderá não justificar alguns comportamentos, mas que nos ajudam a compreendê-los. Com as crianças aprendi o poder do abraço e de um sorriso. Em 2012 iniciei o trabalho no local onde estou agora, na Escola Superior de Saúde de Santa Maria, onde trabalho, essencialmente com estudantes de ensino superior, mas também com projetos na comunidade, uma vez que, entre outras funções, sou responsável pelo programa de voluntariado da Escola.

 

O ano de 2018 foi muito especial para a Tânia por três marcos: fez a Academia de Líderes Ubuntu, o caminho de Santiago de Compostela a pé (o português) e casou-se.

 

Acredito que queiras conhecer mais sobre a pessoa em si e não tanto sobre os seus feitos. Esta mulher partilha de um dos grandes problemas de parte da humanidade (eu incluída): saber como dizer não, mas tal como muitos de nós está a trabalhar para contrariar isso. Sobre essa importância do 'não' já por aqui foi escrito qualquer coisa.

 

E do que ela gosta? De barrigada de risos, desafios para se superar, viajar e de estar com os seus amigos para mimar aqueles de quem gosta. Sabem-lhe bem os (re)encontros, as surpresas, o cinema e a música - seja só para ouvir ou para dançar.

 

Os seus cenários preferidos são na natureza e/ou perto do mar. Adora crianças, de brincar e de adultos que continuam a ser crianças. Gosta do cheiro a canela ou de bolo a sair do forno. É das que recebe o Natal efusivamente e é sem vergonhas e com orgulho uma otimista.

 

Se gosta de tanta coisa alguma deve estar do outro lado para equilibrar, certo? Correcto.

 

 

Não gosta de mentiras e se pudesse destruía muros. Que as más disposições fiquem longe dela, assim como o cheiro de fumo. A sensação de tempo perdido dá-lhe comichões (temos muito em comum) e atrasos não são toleráveis na sua agenda. Faz-lhe confusão não saber para onde ir e de quando está indecisa Não lhe apraz entrar e ver  salas vazias em eventos culturais. As despedidas são para ela ingratas e as injustiças intoleráveis. A discriminação e as desigualdades são palavras que significam algo muito grande e nada feliz para a Tânia. 

 

O que fica em falta? Conhecer o que podemos aprender mais com ela. Desliza o ecrã e descobre as suas lições de vida.

 

 

-Lições de Vida na primeira pessoa-

- da Tânia para Nós -

 

1. Somos responsáveis pelo que cativamos

Foi-me trazida pelo , livro que visito muitas vezes e no qual consigo encontrar, sempre, algo de novo. Acredito que, quando criamos uma ligação, seja de amizade ou de amor, somos responsáveis por ela. Temos o dever de a alimentar, de a regar, para que floresça. No fundo, o clico de vida das relações com aqueles que nos cativam e que cativamos é muito semelhante ao das plantas: necessita de ser regado e acarinhado para que cresça, floresça e suporte eventuais intempéries que possam surgir.

 

2. Todos somos capazes de construir pontes

Esta lição foi-me sendo ensinada ao longo do caminho e assumiu a sua expressão máxima durante o percurso que fiz num projeto chamado Academia de Líderes Ubuntu. Construir pontes ao invés de muros é a única forma, no meu ponto de vista, de sermos plenamente felizes. Estas pontes devem ser construídas connosco próprios, numa aceitação de quem somos, e com os outros, em relações de colaboração e cooperação. Chegamos sempre mais longe quando não estamos sozinhos.

 

3. Agradecer e desfrutar o hoje

Aprendi que devemos ser gratos por todas as pessoas e experiências que temos na vida. Mesmo por aquelas que não são tão boas e nos trazem desafios maiores: são sinónimo de aprendizagem. O “deixar para amanhã o que podemos fazer hoje” corre o sério risco de não se fazer por não haver amanhã. Diziam-me há pouco tempo que “são os ses que nos deixam doentes”. eu tivesse marcado aquele café. eu tivesse feito aquele telefonema. eu tivesse estado presente… Dar o melhor de nós e sentir que fazemos tudo o que podemos fazer por algo ou alguém é a melhor forma de evitar estes que poderão ser um obstáculo à nossa tranquilidade e paz interior.

 

4. A educação é a arma mais poderosa do Mundo

Uma aprendizagem que nos chega de Mandela e na qual acredito veemente. A educação, através da capacitação, dá-nos a liberdade de agir, com a convicção de que somos capazes de ver além da nossa janela. Mandela dizia que “Uma boa mente e um bom coração são sempre uma combinação formidável. Mas quando se adiciona a isso um idioma bem falado ou uma caneta, então temos uma coisa realmente especial”. É das maiores verdades que tenho constatado ao longo do meu percurso. A educação faz-nos ver mais e mais longe, faz-nos perceber que, num mundo de diferenças, é muito mais o que nos aproxima e nos torna iguais do que aquilo que nos separa, o que nos dá a responsabilidade individual de sermos mais e melhores, a cada dia, contribuindo, desta forma, para o bem comum.

 

5. O Amor é a resposta, independentemente de qual seja a pergunta

O amor, por nós próprios e pelos outros, eleva-nos a um patamar em que somos capazes de assumir os nossos defeitos, esforçar-nos por os melhorar e aceitar o outro. Por vezes, é mais fácil julgar e apontar o dedo, mas é muito mais compensador reconhecer que quando apontamos o dedo, temos quatro apontados para nós mesmos. Ser capaz de vislumbrar o melhor lado de cada um, através da empatia, fazendo um esforço de compreensão de todas as suas vivências e experiências poderá ser a chave para construir as tais pontes que nos fazem avançar e nos impelem a realizar os nossos próprios sonhos e a alcançar um estado a que chamamos de felicidade. E pessoas felizes fazem um mundo melhor!

 

Boas aventuras,

Solo Adventurers Joana & Tânia Martins

 

 

 

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