Ana Teresa André, quando o bicho-carpinteiro tem uma pessoa

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Ana Teresa André, quando o bicho-carpinteiro tem uma pessoa

"Tens bicho-carpinteiro?"; "Deves ser rica!" Provavelmente estes devem ser alguns dos comentários que a Ana Teresa já escutou ou leu sobre si e sobre outras pessoas semelhantes. A resposta a cada uma deles deve ser: que sim, tem "bicho-carpinteiro" no sentido da ânsia por provar a vida e não, não é rica a não ser na riqueza que está na sua cabeça preenchida de ideias e de novas formas sobre como pode concretizá-las.

 

 

Sinopse de como nos conhecemos

 

Em abril de 2018 li a notícia num dos meios de comunicação da minha cidade natal "jovem tomarense viaja pelo mundo sozinha com mochilas às costas" de imediato pensei que tinha de a conhecer e melhor ainda de partilhar a sua história e lições de vida. O início da sua história tem alguns pontos em comum com a minha, a Ana Teresa nasceu tímida mas de alguma forma um dia acordou e decidiu que não seria assim para sempre. Arriscou e acreditou que "quando se dá a volta ao mundo, dá-se a volta ao medo".

 

 

Sinopse sobre a Ana

 

A Ana nascida nos anos 90 tem à data desta partilha 25 anos e um sorriso nos olhos que dá vontade de abraçar. Nascida do amor entre Afonso André e Teresa André teve a sua origem em Tomar mas de destino o mundo!  Diz ser um "espírito-livre e adepta ferrenha do sai da rotina". Inspirada no exemplo do seu pai que em jovem se aventurou numa viagem de carro pela Europa, decidiu juntar as suas poupanças - porque não vem de uma família rica, e traçar um plano o mais low-cost possível através de voluntariado, work-exchange e couch-surfing para poder assim concretizar sonhos.

 

Mas o que a levou a fazer tudo isto?

 

Imagina isto: tudo na sua vida tinha seguido o plano dito "normal" da sociedade. Fez o secundário, foi para a faculdade e mesmo mudando de curso terminados 4 anos estava com o canudo. Para celebrar em 2015 fez um interrail por oito países da Europa em 17 dias e ao voltar procurou trabalhar para começar a encarar as responsabilidades de adulta. Em dois meses tinha emprego e uma pós-graduação a iniciar, mas não tinha a motivação. Faltava-lhe algo mais. Não se acomodou a essa inquietude e percebeu que o que lhe estava em falta eram as experiências que não estava a ter por querer ser adulta no timing que lhe parecia cedo demais.

 

Em junho de 2016 candidatou-se ao concurso da Associação Gap Year (AGYP) para obter financiamento para um ano sabático, chegou aos dez finalistas mas a vitória não foi sua, teve de delinear outro plano.

 

 

 

Não desistiu e em outubro de 2016 rumou durante dois meses para a Croácia ao Serviço Europeu de Voluntariado (SVE). Terminada essa missão atreveu-se sozinha pela Ásia onde fez voluntariado no Nepal no projeto "Nepal Earthquake Recovery" criado para alojar o máximo de pessoas das 23000 que ficaram sem as suas casas depois do sismo de magnitude 7.8 que assolou o território a 25 de abril de 2015.  Se estás curios@ sobre a sua rotina em Kalyani enquanto na All Hands Volunteers espreita e surpreende-te porque não era de facilitismos, teve alguns contratempos físicos!

 

Não cansada nem derrotista seguiu em frente e fez work-change no Vietname onde ensinou inglês e ainda aproveitou algum tempo para passear na Tailândia. Os óculos pelos quais a Ana Teresa vê a vida são de muitas cores "tento aproveitar a vida de forma a fazer do presente uma memória inesquecível (...) Viajar sozinha é a liberdade e o receio no expoente máximo. Mas é uma sensação do caraças!". Desde Setembro de 2015 já visitou 23 países (e nesta altura em que estás a ler a probabilidade deste número ter subido é elevadíssima).

 

 

Em Abril de 2017, depois de três meses fora, regressou a Portugal para fazer um balanço e assentar. No mês seguinte começou a trabalhar como Assistente de Marketing numa empresa de hosting e de apostas de futebol online e em setembro abraçou outro desafio, foi trabalhar para uma agência de comunicação digital. Claro que a sua inquietude não a largou e não tardou em querer mexer-se. Novo destino, nova meta: Norte da Europa, 6 meses na Lapónia através de voluntariado.

 

Para a compreenderem um pouco melhor:

 

"Já tentei encaixar na sociedade, já segui a multidão enquanto me convencia que devia manter-me na linha. A linha que traça o caminho de todos os que se conformam com o “tem de ser”, “a vida é mesmo assim”, “tiras um bom curso, arranjas trabalho e tudo corre bem”. Mas chegou uma altura em que decidi questionar se os meus interesses, os genuínos, estariam efectivamente alinhados com o “que deve ser”. Pensava todos os dias que a vida teria de ser muito mais do que isso, que existiam milhares de sítios para descobrir e milhões de pessoas para conhecer. Pensei que tinha de fazer mais por mim e pelos outros. Um dia acordei e saí da rotina. Nesse dia também saí da linha e comecei a inspirar-me no desconhecido e no que ainda posso alcançar.

 

Nasci tímida e pedir um copo de água num café era uma tarefa intimidante. Coro com a mesma facilidade que o Cristiano Ronaldo marca golos e nada previa que um dia me ia dar na cabeça a vontade de viajar sozinha. Sou a prova que a personalidade não deve ser um impedimento para ir mais longe. Não tenho uma vida repleta de viagens e até 2015 só tinha ido a Espanha e à Bélgica. Mas tenho um pai que em 1900 e troca-o-passo fez uma viagem de carro pela Europa e que sempre me incentivou a ir ver mundo. Agora não quero outra coisa.

 

Saio de casa para ir viajar (sozinha) com a mesma facilidade que saio para ir ao supermercado. Gosto da mudança e de desafios. Prefiro o dia à noite, não gosto de maquilhagem, gosto de descontracção e de pessoas que não se levam demasiado a sério. Gosto da barragem de Castelo de Bode, do campo e de aproveitar o dia. Caminho entusiasmada para um estilo de vida mais minimalista e poupo todo o meu dinheiro para viagens. Gosto da primavera, do amarelo e do sol. Irrita-me a falta de educação, as pessoas que deitam lixo para o chão e as que conduzem sempre na fila do meio nas auto-estradas. Gosto de Budapeste".

 

Se gostaste do que leste e do que te permitiste em conhecer da Ana Teresa vais querer seguir o seu projeto "Nowtrip" com "algumas sugestões de organizações de voluntariado" e onde explora o "tema de ser mulher e viajar sozinha: Solo Travel é para Miúdas". Segue também as aventuras da sua vida no instagram.

 

 

 

Lições de vida na primeira pessoa

-da Ana para nós-

 

1. Aprender a questionar a nossa realidade

“ Descobrirá que muitas das verdades a que somos fiéis dependem muito do nosso ponto de vista. Quem é mais tolo? O tolo ou o tolo que o segue?"
Adágios de Obi-Wan Kenobi, A Guerra das Estrelas

Está provado que herdamos e transmitimos comportamentos, emoções, crenças e religiões, não porque o decidimos fazer de forma racional mas sim pelo efeito de contágio. Crescemos envoltos numa realidade formada por “é assim que deve ser” e temos tendência em permanecer nela até ao fim, é mais confortável e seguro. Na verdade, achamos que não há outra solução.


Mas há. Há a possibilidade de questionar os nossos modelos de realidade, o porquê de agirmos de certa forma, e depois escolher o que faz ou não sentido para nós. Muitas das nossas regras e conceitos de realidade já estão  ultrapassados, como afirmou Steve Jobs “tudo aquilo a que chamamos vida à nossa volta foi inventado por pessoas que não são mais inteligentes que nós. E podemos mudá-lo. Podemos influenciá-lo...assim que percebermos isto, nunca mais seremos os mesmos”. Descobri isto por experiência própria, não foi planeado e nem tinha realmente a noção que era possível questionar algumas coisas, como o percurso de vida clássico. Mas um dia senti-me profundamente infeliz num emprego das 9 às 18h e decidi por as poupanças a mexer e fui viajar. Depois deste dia, eu não tinha consciência que nunca mais seria a mesma pessoa.


Acredito que é a minha vontade consciente de questionar e procurar sempre o melhor, em tudo, que me vai permitir ter um caminho feliz.


2. Quando o homem acha que já não é capaz, ainda pode outro tanto

Foi esta a mensagem que repeti para mim vezes sem conta enquanto fazia um trail muito difícil na Noruega. Li esta frase dois dias antes de me fazer aos 28km entre rochas, riachos, neve e montanhas, e nunca mais a esqueci! Foi uma viagem dura, foi uma superação pessoal, a vontade de dar meia volta de vez em quando vinha dar o ar de sua desgraça mas em cada uma dessas vezes eu só podia relembrar que ainda podia outro tanto, que era
capaz de muito mais. Consegui acabar o trail, nunca me senti tão orgulhosa e tive a certeza que depois disto ia acreditar muito mais nas minhas capacidades (tanto físicas como psicológicas).


3. A incrível ação-reação

“Be more kind, my friends, try to be more kind

You should know you're not alone
And trouble comes, and trouble goes”

Be More Kind
Frank Turner

Em viagem ou em terra nacional há uma regra que é de ouro e que apesar de gostar de questionar regras, nunca a ponho em causa - tratar os outros como gosto que me tratem. Sou crente, adepta e fanática da simpatia, do estar bem, do positivismo, do ver o copo meio cheio, de dizer obrigada, por favor e desculpa. Penso que a simpatia gera simpatia, apesar de ser uma utopia estar sempre disponível, simpática e compreensiva, é certo que tentar não custa. Foi em viagem que tive contacto com pessoas genuinamente disponíveis para ajudar, para
dar uma indicação, um colchão para dormir ou uma dica. Foi em viagem que também eu aprendi a ser assim, mais compreensiva, tolerante e Humana. Não guardemos estas características todas para os animais, promover a tolerância é mais do que romper estereótipos, é fomentar uma vida melhor para todos e em todos os sentidos.


4. Às vezes é melhor guardar a razão na mochila

Admito que muitas vezes tenho atitudes de quem gosta de ter razão, que sempre adorei mostrar o meu ponto de vista mas tenho vindo aprender que nem sempre vale a pena, que perco mais do que ganho. Esta consciência de que não temos que levar sempre a nossa avante ajuda-nos a aguardar energia para coisas realmente importantes. Dale Carnegie disse, já em 1939, que a única forma de vencer numa discussão é evitá-la.


Andava pelo Vietname sozinha quando tive uma situação que me deixou irritada durante um dia inteiro, mas uma irritação absurda de quem achava que tinha o mundo todo contra si, uma estupidez. Eram 4 da manhã quando o meu autocarro chegou a Nha Trang, e em plena madrugada ainda me passou pela cabeça ir a pé para o hostel (a 1km de distância) mas achei que era arriscado. À saída do bus estão sempre homens a oferecer taxi e foi um deles que me enganou a valer. O sacana deu uma volta maior (eu tinha o mapa) e depois pediu-me um valor absurdo (18€). Fiquei chateada, refilei imenso porque sabia que um valor daqueles era absurdo. Só passado um bocado é que pensei melhor e achei que nada tinha a fazer, estava sozinha numa rua escura no Vietname com dois homens que se quisessem podiam fazer-me mal. Decidi aceitar a derrota (ainda que tenha negociado) mas essa situação esteve a remoer-me demasiado tempo, tinha sido enganada e não tinha gostado.
Gastei um dia da minha vida, um dia da minha viagem espetacular a solo pela Ásia com más energias provocadas por mim, com um mal-estar sem sentido.


Não temos sempre que ter razão, e o que podemos ganhar com esse mindset é tremendamente melhor.


5. Viajar a solo é para miúdas


Acabei a faculdade e decidi fazer um interrail, o meu pai empurrava-me para o mundo, queria que eu soubesse que há mais mundo lá fora e que a vida tem infinitas possibilidades. Eu queria descobrir esse mundo mas achava que sozinha era arriscado, arranjei companhia e lá fui eu. Adorei mas hoje sei que me baseei numa crença limitadora criada e moldada pela realidade em que estava a viver. Eu tinha sido capaz de ir sozinha. Mais tarde quis viajar de novo e ter uma experiência mais longa no estrangeiro, decidi ir viver essa experiência sozinha. Convenci-me que era capaz, que o meu sentido de orientação e de alerta não me iam deixar ficar mal e apontei a seta para o desconhecido. Descobri que viajar sozinha é a liberdade e o receio no expoente máximo. Mas é uma
sensação do caraças!


Viajar sozinha (o) é para todos! E devia ser uma experiência que toda a gente devia de ter
pelo menos vez na vida.

 

Boas Aventuras,

Solo Adventurers Joana & Ana Teresa

 

 

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