O que é ansiedade? Como controlar a ansiedade?

O que é ansiedade? Como controlar a ansiedade?

Atualizado: Mai 5

No seguimento do liveshow "Doses de Inspiração" 💊 em parceria com o Gabinete Psicologia partilhamos contigo algumas questões importantes no âmbito da Saúde mental.

As perguntas são nossas mas as respostas são da Psicóloga Dra. Ana Beatriz Confraria.

Ansiedade e Isolamento Social


1. O que é a ansiedade?

Todos nós já experienciámos ansiedade!

A Ansiedade é uma resposta normal e adaptativa aos estímulos que surge a um sinal de alerta. Tem a função de nos avisar sobre um perigo, proporcionando-nos medidas para lidar com a ameaça. Portanto conseguimos, desde já, perceber que a ansiedade é uma resposta positiva e sem ela estaríamos vulneráveis aos perigos e ao desconhecido.

No entanto, a ansiedade também pode ser um estado emocional aversivo com origem em conflitos internos, pensamentos e/ou sentimentos que são disfuncionais. Ao não conseguirmos evitar senti-la, com toda esta dissonância, sentimo-nos assoberbados pelo medo.

Ter ansiedade pode levar a uma diminuição da auto-estima, bem como ao evitamento, ocorrendo uma desistência de fazer determinadas coisas porque se julga ser incapaz de realizá-las. Assim sendo, passa-se a antecipar os sintomas e a ter medo de errar, sem mesmo chegar a tentar.

Dependendo da sintomatologia, do grau ou da frequência, a ansiedade pode tornar-se patológica sempre que cause interferência nas atividades normais do indivíduo, podendo conduzir a problemas decorrentes, como a Perturbação da Ansiedade.

2. Como podemos detetar que estamos com um ataque/pico de ansiedade?

As pessoas ansiosas têm um vasto número de sintomas. Muitos desses sintomas resultam de um aumento da estimulação do sistema nervoso que controla o reflexo ataque-fuga. Outros são somatizações, ou seja, substituem a ansiedade por problemas físicos.

Com a libertação de adrenalina, preparando o corpo para fugir ou lutar numa situação de perigo, causa reações de resposta ao stress, tais como o acelerar dos batimentos cardíacos para aumentar os níveis de oxigénio ou a dilatação das pupilas para melhorar a nossa visão.

Cerca de metade das pessoas com ansiedade sofrem principalmente de sintomas físicos, normalmente localizados nos intestinos e no peito.

Em termos físicos poderá existir uma sensação de falta de ar, suores, tremores, boca seca, algumas partes do corpo frias ou dormentes, dores de cabeça, náusea ou dores de barriga. Em termos psicológicos: o tal medo constante, irritabilidade; foco excessivo no problema, preocupações exageradas em comparação com a realidade, sensação de que algo negativo vai acontecer ou problemas de concentração. E esta constante tensão ou agitação também poderão acabar por resultar em dificuldades em dormir - o que causará ainda mais ansiedade e torna-se “uma bola de neve”.

3. Existe um tipo de personalidade ou perfil que tenha mais predisposição para a ansiedade?

Poderá estar na origem da ansiedade uma predisposição genética, fatores ambientais (como o stress do trabalho) ou até mesmo um histórico familiar.

Estes fatores podem gerar uma preocupação constante ao ponto de evoluir de uma ansiedade comum e natural para um quadro mais sério de transtorno.

É muito comum termos um pensamento automático diante de situações, sejam elas positivas ou negativas. Este pensamento instantâneo fundamenta-se a partir da nossa interpretação dos factos e das nossas perceções, sendo o responsável pelo sentimento consequente e influenciador das ações posteriores. Ou seja, é a interpretação que temos acerca de determinada situação é que determina o que sentimos e a maneira como nos comportamos.


Por exemplo: quando avaliamos uma situação como vergonhosa ou ameaçadora tendemos a sentirmo-nos humilhados, deprimidos ou ansiosos.

O corpo, consequentemente, responde em concordância com a situação. Isso pode levar ao choro, a evitar pessoas ou a deixar de fazer alguma coisa que antes sentíamos prazer.

O modo como pensamos sobre uma situação pode tornar mais fácil ou impossível de lidar com ela, no entanto essas distorções podem ser corrigidas. Os pensamentos são apenas isso, abstratos e subjetivos e não factos/verdades absolutas, pelo que os erros cognitivos comuns devem ser substituídos por pensamentos alternativos positivos e mais realistas.

4. Qual o impacto do covid19 ao nível da ansiedade?

Todos estamos a viver este isolamento de maneiras distintas… Aqui as diferenças individuais são importantes.

É evidente que é diferente para quem está sozinho e para quem está com a casa cheia ou até para quem continua na linha da frente a lutar para diminuir a propagação do vírus ou para quem se mantém a trabalhar fora de casa para que continuemos a ter todos os produtos básicos.

As relações formais (trabalho) e informais (família/amigos) devem ser mantidas tanto quanto possível. Até porque nós não estamos em isolamento social, mas em isolamento físico. E as relações sociais são reguladoras de humor.

É uma excelente altura para reforçarmos relações e falarmos com quem já não estabelecíamos um contacto há imenso tempo.

Hoje é possível partilhar as nossas emoções e experiências com quem confiamos através de imensos meios de comunicação - (vídeo)chamadas, mensagens, emails, redes sociais... E existem até aplicações para jogarmos em conjunto e desafiarmos os nossos conhecimentos e competências, de modo a conseguirmos desligar de toda esta situação.

Queria deixar apenas aqui um parêntesis: os profissionais de saúde que estão na linha da frente são particularmente vulneráveis. É-lhes exigido um nível de resposta acrescido em toda a sua especificidade, em termos da tomada de decisão e ainda porque eles próprios também se sentem ameaçados pelo risco de se poderem contaminar, estando por vezes separados da sua rede de apoio.

Será preciso haver uma especial atenção aos sinais de cansaço e de exaustão que poderão ser resultado de Síndrome de Burnout. Procurem ajuda de um profissional de saúde mental até porque há que se ter até em atenção à possibilidade de no futuro poder existir uma Perturbação de Stress Pós-Traumático destes profissionais.

5. Que estratégias podemos aplicar para controlar a ansiedade que se tem vivido (covid19)?

Aceitar que é normal e tudo vai passar!

Não evitar a expressão e o confronto com o medo, com a preocupação, com as nossas emoções. Elas devem sem exploradas, perceber que pensamentos é que estão por detrás dessas emoções. Temos que confiar nas nossas competências para lidar com tudo isto e tentar aplicar estratégias que no passado poderão ter resultado em situações em que a ansiedade também foi predominante. Já passámos por tantas coisas adversas e fomos capazes.

As coisas boas continuam a acontecer!

Deixo aqui um desafio que pode ajudar se tentarmos introduzi-lo no nosso dia a dia: lembrarmo-nos de 3 acontecimentos positivos/pequenos gestos que tenham acontecido nesse dia e estarmos gratos por eles. Como por exemplo, a pausa para um café que fizemos no nosso trabalho que já estávamos mesmo a precisar ou a mensagem que recebemos por parte de um amigo com quem já não falávamos há algum tempo…

E acabei de introduzir aqui outra dica importante para o autocuidado – a rotina. A rotina ajuda a estruturarmo-nos, dá-nos futuro e permite-nos concentrar mais no presente ao definir objetivos diários. No final de cada dia, devemos planear o que fazer no dia seguinte, constando não apenas as responsabilidades, mas também outras fontes de gratificação. Aproveitar para experienciarmos tarefas que nos dão prazer e experimentarmos coisas novas!

Outras dicas para manter a regulação emocional:

- Definir uma hora limite para nos levantarmos, mudar de roupa e respeitar as várias refeições (tentando que a maioria sejam saudáveis e cumprir os seus respetivos horários);

- Informarmo-nos, mas atenção: notícias fidedignas e limitadas no tempo;

- Tentarmos introduzir/manter o exercício físico, alongamentos, meditação, yoga… e uns 10/15 minutos diários é suficiente. Mexermos o corpo e estarmos focados no “aqui e no agora”. Gastarmos energia para que à noite consigamos ter uma maior higiene do sono, de modo a torná-lo mais restaurador (e, mais uma vez, para todas estas sugestões há uma série de plataformas e vídeos que nos poderão ajudar a mudar o foco e a reduzir os níveis de ansiedade).


6. Se não formos nós que temos ansiedade mas uma pessoa do nosso círculo, como devemos agir para ajudar?

Estarmos atentos e disponíveis para ouvir, sem preconceitos!

Há que reconhecer e respeitar as diferenças de cada um e dar espaço ao outro.

Partilhem algumas destas sugestões e recomendem a procura de ajuda de um profissional de saúde mental.



Vê a liveshow "Doses de Inspiração" que deu origem ao tema deste artigo:



Também disponível em podcast no Spotify!


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