Andreia a mulher-médica-blogger-viajante-empreendedora

Andreia a mulher-médica-blogger-viajante-empreendedora


A vida não se resume a viagens, mas sabemos que para muitas pessoas esse gene faz parte do seu ADN transformando a forma como encaram o mundo. A Andreia é médica, fotógrafa amadora nos tempos livres e curiosa a todas as horas. Ela soube como mudar de vida para juntar as suas paixões, e tu? Tu és quem a vai querer conhecer. Aposta todas as tuas fichas nisso!

Sinopse de como nos conhecemos

O grupo “Garotas pelo Mundo” da Daniela Matinho (há que recordar a sua história) foi o culpado por conhecer a pessoa sorridente, aventureira e de boas energias que é a Andreia. Não te preocupes que não lanço elogios sem pilares de verdade e já vais perceber isso com esta história de vida.

Sinopse sobre a Andreia

A 1986 nasceu a Andreia Castro e tendo ultrapassado as três primeiras décadas de vida já pisou mais de 63 países. O que dá uma média aproximada de 2 países por ano! Esta história tem muito de viagens não tivesse a Andreia na maior de todas elas: a sua vida.

Entre os muitos papéis que a Andreia tem na vida um deles é o de ser blogger e como tal não a podíamos deixar de ler. E assim começa sem um “Era uma vez...”

Profissionalmente e Voluntariamente falando

"Profissão: médica. Formei-me na Universidade Nova de Lisboa (Faculdade de Ciências Médicas) entre 2004 e 2010, depois de um ano na Faculdade de Farmácia. Na altura não entrei em Medicina porque me espalhei no último exame de todos e parecia o fim do mundo! Hoje em dia já raramente me lembro desse contratempo. Aproveitei esse intervalo para fazer melhorias e tirar a carta de condução.

Depois disso, entre o final do curso e a especialidade, há o chamado “Ano Zero” – uma das coisas que mais me arrependo é não ter passado este ano formativo no Porto, uma vez que tinha média para isso. Muitas das minhas melhores amigas são do Norte e acho as pessoas muito genuínas, é daquelas coisas que penso que poderia ter gerado uma mudança na minha vida.

Tirei a especialidade de Medicina Geral e Familiar porque gostava de todas as áreas da Medicina e não de uma especificamente. Para além disso, percebi cedo que internamento e grandes cirurgias não eram para mim. Um outro factor é que não queria penalizar a minha vida familiar em detrimento da vida profissional: sempre disse que ser médica é o que faço, não o que sou.

Não, não quis ser médica desde pequena. No 11º ano folheava um livro de Física e apaixonei-me por uma imagem de uma ecografia obstétrica… foi como uma luz que se acendeu na minha cabeça - “tipo Eureka!” – e nesse dia soube. Nos anos seguintes o meu foco era tornar-me Obstetra, sendo que também gostava muito de embriologia e genética.

Durante a chamada vida profissional fui também tendo várias oportunidades de sair de Lisboa. Em 2007 fiz um ano de Erasmus em Paris (França), e esse foi o meu primeiro contacto com o viajar de mochila, com o marcar “hostels” e com tantas outras coisas. Vivi na Cité Universitaire de Paris, um campus universitário incrível, tirado de um filme, com milhares de estudantes de todos os países do mundo. Uns anos mais tarde vivi em Londres durante 1 mês, enquanto fazia uma pós-graduação em Saúde Mental. Pelo meio ainda tive uma experiência de intercâmbio em Granada (2 semanas), e em pequena (13 anos) já tinha ido também ao Japão por intermédio de um intercâmbio estudantil entre Sintra e Omura (perto de Nagasaki). Fiquei em casa de uma família japonesa, e para mim que adorava anime e manga foi das coisas mais fabulosas de sempre.

Estive sempre de alguma forma ligada ao voluntariado, embora nada com grandes compromissos. Fiz uma semana na ilha do Príncipe, em que fazia rastreio de cancro do colo do útero no hospital e nas roças. Incrível como os cuidados de saúde são tão dispares, assim como a percepção de saúde/ doença das próprias populações. Como em tantos outros locais, aqui aprendi que as pessoas podem ser felizes com muito pouco. Durante a faculdade fui membro da Associação de Estudantes e participava num projecto relacionado com os Camarões; há uns anos ajudei uma amiga pontualmente em algumas actividades da AHEAD e, durante a minha grande viagem de mochila, acabei por fazer limpezas (“housekeeping”) num hostel do Hawaii e check-ins, preparação de mochilas de campismo e pequenos almoços na Patagónia Chilena.

A influência da família

A nível familiar, venho de uma família tradicional e tenho uma irmã praticamente 10 anos mais nova. Acho que a grande paixão das viagens veio do facto de os meus pais sempre me terem levado com eles para todo o lado, e fazíamos pelo menos uma viagem para longe todos os anos. Adorava participar em todas as atividades dos resorts. Lembro-me de na 3ª classe termos feito grande parte da Europa de carro, e de quando voltar mostrar aos meus amigos da escola um grande mapa com os locais por onde tinha andado.

O meu avô é fotógrafo desportivo e durante muitos anos não achei piada nenhuma a fotografia. Esta foi uma paixão que foi surgindo progressivamente, e na qual acabei por investir mais através de um ou outro curso de fotografia, de edição de imagem ou de escrita de viagem. Mas sempre tudo muito amador. A verdade é que tenho conhecido locais tão incríveis que as fotos são naturalmente belas, sem necessidade de grande talento por detrás. Ainda assim, participo regularmente em concursos fotográficos e consegui ganhar alguns prémios. Algo de que me orgulho muito foi ter a minha própria exposição fotográfica durante alguns meses na Ordem dos Médicos.

Facetas e factos

Uma coisa que também me agrada muito é Arquitectura e História da Arte. Faz-me confusão andar por cidades e locais históricos e não identificar nada do que estou a ver. Por isso há 3 anos, inscrevi-me num curso de 3 meses numa cooperativa, em que toda a gente tinha de 70 anos para cima!! Foi uma experiência muito interessante e enriquecedora.

A dança foi-se tornando importante porque me permite um estado de conexão e de expressão corporal. Em criança, era mais dada a desenhar. Acho que sempre tive alguma veia para as artes (mas sem qualidade!). O meu sonho de criança/ adolescente era ser artista num grande musical da Broadway ou do West End. E das coisas mais aliciantes que fiz foi cantar num palco de um festival de verão em Londres para umas 600 pessoas. Tudo relacionado com música mexe com a minha parte emocional, como se ela tivesse as palavras que muitas vezes não encontro para me expressar. Sempre fui muito ligada às emoções, o que nem sempre joga a meu favor. Sou capaz de fazer uma sutura tranquilamente, mas ficar com arrepios e até lágrimas nos olhos com determinadas canções.

Dizem que sou muito segura, confiante e independente, mas isso é o que me tornei mais do que o que sou na realidade. Tenho vindo a trabalhar esse aspecto, cuja dimensão não tinha uma consciência tão clara até há pouco tempo.

As Viagens como forma de vida

À medida que fui viajando fui percebendo que queria ver mais e mais. E, de modo muito prático, cheguei à conclusão de que não poderia viver com 22 dias de férias por ano, porque isso simplesmente não me daria tempo de vida útil com saúde para conhecer alguns dos destinos. Sempre fui muito avessa às regras, e era notório que seria uma questão de tempo até me despedir. Por isso, em 2018 lancei-me de mochila pelo Hawaii e América do Sul. Passado uns meses de voltar, decidi que ainda queria arriscar algo que tinha pendente, e fui trabalhar para um cruzeiro. Foi uma experiência de que não gostei e optei por regressar antes do previsto. Não repetia.

Na sequência de todas estas viagens, acabei por compilar tudo num blog muito pessoal. Digo meio a brincar que não sei quando vai chegar o Alzheimer, mas o sonho por detrás disto tudo é que um dia, quando for “avó”, possa receber as minhas próprias memórias de presente e que os meus filhos/ netos possam reviver comigo tudo aquilo pelo que passei. O “Me across the World” foi crescendo e quando fiquei no Top 10 dos prémios para bloggers da Momondo fiquei extremamente feliz. Hoje em dia é também a plataforma que uso para fazer a Consulta do Viajante Online.

O meu sonho de reforma é continuar a viajar e ter um cafézito/ casa de chá com tertúlias sobre viagens, claro. Sou uma empreendedora e a minha cabeça anda sempre a mil. A última maluqueira foi lançar uma linha de turbantes colombianos, a suerte.pt."

Escuta a sua partilha no podcast Ready. Gap. Go! aqui. Se quiseres escutar mais sobre as suas aventuras através de viagens então temos uma surpresa mais abaixo para ti. No vídeo podes vê-la na Metamorfose Ambulante do Maluco Beleza no dia em que fez 34 anos, um dia extra especial! Agora vá, segue-a pelo Facebook e Instagram e descobre mais sobre o seu mundo!

Lições de vida

-da Andreia para nós-

1. A superação física depende da mental

Foi sobretudo no trekking do Circuito W, no Parque Nacional Torres del Paine (Chile), que percebi o quanto esta frase tem de verdade. Vinha praticamente com 2 directas em cima quando iniciei uma caminhada às 2:30h da manhã com cerca de 8Kgs às costas. Tinha por objectivo chegar a Las Torres antes do amanhecer e ver por isso o nascer do sol reflectido nos penhascos. Foi conjuntamente a nível físico e mental a experiência mais violenta da minha vida; nunca pensei em desistir, mas pensei até ao fim que não chegaria a tempo. Nesse dia fiz cerca de 25Kms, com muitas, muitas dores num joelho. Mas consegui e ninguém me tira a sensação de conquista interior e exterior.

2. Na sua essência, as pessoas são boas

Nos meus anos de viagem posso dizer que nunca passei por uma verdadeira dificuldade. Pelo contrário, sempre fui auxiliada por estranhos nas mais diversas situações, desde pessoas que se ofereceram para me comprar o bilhete de autocarro porque não tinha moedas, ofereceram uma refeição por simpatia, fizeram um upgrade num quarto de hostel só porque sim, me acompanharam a determinado destino quando pedi indicações ou facilitaram uma boleia. O auge do “dar sem esperar nada em troca” vem mesmo do couchsurfing, eu que várias vezes fiquei 1 ou 2 semanas em casa de desconhecidos que se tornaram amigos.

3. Podemo-nos sempre redescobrir e tentar fazer diferente

Há uns anos atrás, despedir-me seria impensável. Dançar seria somente ridículo e ir a determinados espaços nocturnos gritava preconceitos. Viajar sozinha então era uma questão que nem se colocava. Olhando para trás, fico de certo modo maravilhada comigo própria pela capacidade de descobrir e mergulhar em coisas novas. Não infrequentemente, penso no que me poderei tornar daqui a 5, 10 ou 15 anos.

4. Podemos ser o nosso próprio inimigo

Tive durante muitos anos concepções erradas sobre mim própria, das quais não percebia o motivo. Precisei de investir em mim e em processos de desenvolvimento pessoal para entender que a culpa muitas vezes não está nos outros, mas no que nós próprios fazemos das situações e do que projectamos sobre o assunto. E que sem uma verdadeira auto-análise e transformação, nada nem ninguém que venha pode mudar o que quer que seja que está retido dentro de nós próprios. A transformação nasce de dentro, e não de fora.

5. O dinheiro não compra tudo (mas ajuda…)

Nos tempos que antecederam a minha rescisão achava que tinha alcançado muitos dos meus objectivos: tinha uma casa, um carro e um emprego estável. Por momentos trabalhava em 3 ou 4 locais diferentes, não porque precisava mas porque podia e porque isso me fazia sentir internamente valorizada. Actualmente, dou muito mais importância ao meu tempo livre e ao que faço dele, mesmo que ganhe menos ao final do mês. Aprendi que a liberdade/autonomia tem em si própria um valor inestimável. Ninguém lutará pela nossa felicidade como nós.

Boas Aventuras,

Joana Feliciano & Andreia Castro

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