Fevereiro é o mês do amor: porque o amor - próprio deve ser prioridade
- Vanessa Miranda
- há 16 horas
- 2 min de leitura
Fevereiro chega todos os anos com o mesmo enredo: corações nas montras, flores, promoções de jantares a dois à luz das velas, promessas de amor eterno. Dizem-nos que é o mês do amor.
Mas há uma pergunta que raramente fazemos, e eu quero colocá-la aqui: amor para quem?
Entre as narrativas românticas, ideias de casal e expectativas externas, o amor que muitas vezes fica esquecido é aquele que mais importa e sustenta todos os outros: o amor-próprio.
Não falo de amor-próprio como slogan ou superficialidade, mas sim de um amor profundo, consciente, por vezes desconfortável. Um amor que exige escuta, atenção, limites e verdade.

O amor romântico como centro da narrativa
A sociedade aprendeu a ver o amor romântico como uma meta a ser atingida. Por um lado, queremos ser escolhidos, desejados, amados. Por outro, há a luta, a dor, a conquista.
A literatura, o cinema e até a publicidade reforçam a ideia de que amar é viver em função do outro. O problema não está no amor romântico em si, mas no lugar absoluto que ele ocupa.
Quando o amor pelo outro se sobrepõe sistematicamente ao amor por nós mesmos, algo se desequilibra.
Amor-próprio não é egoísmo
Existe um equívoco persistente: amar-se é egoísmo. Nada mais distante da verdade.
O amor-próprio é a base da autonomia emocional. É o que nos permite dizer “não” sem culpa, estabelecer limites saudáveis, escolher com consciência e permanecer inteiros, quando o mundo nos pede fragmentação.
Amar-se é:
estabelecer e respeitar os próprios limites;
reconhecer necessidades emocionais;
honrar o próprio ritmo e tempo;
aceitar que não precisamos de caber em moldes que não nos pertencem.
É um exercício diário, não uma conquista definitiva. O amor-próprio constrói-se nas escolhas que fazemos todos os dias — seja em relação ao ambiente onde nos inserimos, seja às pessoas com quem decidimos passar o tempo.
Fevereiro pode ser mais do que um cliché
E se, este ano, fevereiro fosse menos sobre provar amor aos outros e mais sobre cultivar presença connosco? Talvez o verdadeiro gesto de amor seja:
escolher relações que não nos diminuam;
abandonar narrativas que já não nos representam;
dar espaço ao silêncio;
reconhecer o próprio valor, independentemente da validação externa.
O amor-próprio não elimina o desejo de amar o outro. Pelo contrário, torna-o mais consciente, mais livre e mais justo.
Para terminar
Fevereiro passa. As flores acabam por murchar. As campanhas de marketing terminam e outras surgem. Mas a relação que temos connosco permanece.
Que este mês do amor seja também um convite à escuta interior, à reconciliação com quem somos: dignos, complexos e inteiros.
Se este artigo tocou o teu coração e te fez refletir sobre o amor - próprio, explora o nosso blog e descobre como pequenas atitudes podem transformar o teu olhar sobre o mundo e sobre ti mesmo e, claro, inspira-te a viver com mais presença, amor e autenticidade.






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