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Fevereiro é o mês do amor: porque o amor - próprio deve ser prioridade


Fevereiro chega todos os anos com o mesmo enredo: corações nas montras, flores, promoções de jantares a dois à luz das velas, promessas de amor eterno. Dizem-nos que é o mês do amor.


Mas há uma pergunta que raramente fazemos, e eu quero colocá-la aqui: amor para quem?


Entre as narrativas românticas, ideias de casal e expectativas externas, o amor que muitas vezes fica esquecido é aquele que mais importa e sustenta todos os outros: o amor-próprio.


Não falo de amor-próprio como slogan ou superficialidade, mas sim de um amor profundo, consciente, por vezes desconfortável. Um amor que exige escuta, atenção, limites e verdade.


imagem com corações brilhantes

O amor romântico como centro da narrativa


A sociedade aprendeu a ver o amor romântico como uma meta a ser atingida. Por um lado, queremos ser escolhidos, desejados, amados. Por outro, há a luta, a dor, a conquista.


A literatura, o cinema e até a publicidade reforçam a ideia de que amar é viver em função do outro. O problema não está no amor romântico em si, mas no lugar absoluto que ele ocupa.


Quando o amor pelo outro se sobrepõe sistematicamente ao amor por nós mesmos, algo se desequilibra.


Amor-próprio não é egoísmo


Existe um equívoco persistente: amar-se é egoísmo. Nada mais distante da verdade.


O amor-próprio é a base da autonomia emocional. É o que nos permite dizer “não” sem culpa, estabelecer limites saudáveis, escolher com consciência e permanecer inteiros, quando o mundo nos pede fragmentação.


Amar-se é:


  • estabelecer e respeitar os próprios limites;

  • reconhecer necessidades emocionais;

  • honrar o próprio ritmo e tempo;

  • aceitar que não precisamos de caber em moldes que não nos pertencem.


É um exercício diário, não uma conquista definitiva. O amor-próprio constrói-se nas escolhas que fazemos todos os dias — seja em relação ao ambiente onde nos inserimos, seja às pessoas com quem decidimos passar o tempo.


Fevereiro pode ser mais do que um cliché


E se, este ano, fevereiro fosse menos sobre provar amor aos outros e mais sobre cultivar presença connosco? Talvez o verdadeiro gesto de amor seja:


  • escolher relações que não nos diminuam;

  • abandonar narrativas que já não nos representam;

  • dar espaço ao silêncio;

  • reconhecer o próprio valor, independentemente da validação externa.


O amor-próprio não elimina o desejo de amar o outro. Pelo contrário, torna-o mais consciente, mais livre e mais justo.


Para terminar


Fevereiro passa. As flores acabam por murchar. As campanhas de marketing terminam e outras surgem. Mas a relação que temos connosco permanece.


Que este mês do amor seja também um convite à escuta interior, à reconciliação com quem somos: dignos, complexos e inteiros.


Se este artigo tocou o teu coração e te fez refletir sobre o amor - próprio, explora o nosso blog e descobre como pequenas atitudes podem transformar o teu olhar sobre o mundo e sobre ti mesmo e, claro, inspira-te a viver com mais presença, amor e autenticidade.



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