Afonso Borga, como viver em serviço da cidadania

Alguns de nós trabalham por vocação e para além disso vivem com essa disposição natural e inabalável do espírito para seguir pelo caminho que têm como certo para si. O Afonso é uma dessas pessoas que se formou em Serviço Social mas mesmo antes de ter o diploma já o fazia para viver. Imerge nesta história e lições que nos ensinam como é viver em prol da cidadania, da justiça e da igualdade.


Sinopse de como nos conhecemos


Já acompanhavámos o trabalho um do outro e sabíamos que tínhamos pessoas em comum mas nunca tínhamos cruzado caminho. Estavámos a junho de 2019 e trocámos contactos para reunirmos informalmente e partilharmos algumas impressões sobre os nossos projetos. Entre a conversa descobrimos que crescemos em aldeias que não estão muito longe entre si, que temos valores idênticos e experiências de voluntariado parecidas mas em organizações distintas. A conversa foi muito boa e por isso já só conseguia imaginar a história que o Afonso nos poderia contar. Chegou o momento, vem daí.


Sobre o Afonso


"Nasci numa aldeia no sopé da Serra d´Aire, rodeado de ar puro e com muito espaço para correr, jogar às escondidas e sonhar.


Desde cedo que me envolvi na minha comunidade, desde a banda filarmónica, que integro desde os 6 anos, onde descobri a paixão pela música, ao voluntariado no lar de idosos e na Cáritas de Torres Novas.


Essas experiências contribuíram para descobrir a minha vocação em Serviço Social mas, acima de tudo, fizeram-me perceber que somos, TODOS, responsáveis por cuidarmos da nossa comunidade, por sermos agentes de transformação social e por estarmos atentos ao nosso “vizinho”.

Trago comigo essa responsabilidade constante, de refletir esse espírito de comunidade no meu dia-a-dia, no qual cada um de nós tem uma função e um contributo a dar.


Após o Secundário fui estudar para Lisboa, seguindo a licenciatura em Serviço Social e desde o primeiro ano que me envolvi em projetos de voluntariado, nomeadamente através do Centro de Apoio ao Sem-abrigo (CASA), o meu primeiro contacto com a realidade social de Lisboa, da ONGD GASNova, onde desenvolvi projetos de voluntariado internacional em São Tomé e Príncipe e nacional, junto de uma comunidade cigana em Vendas Novas e mais recentemente na Gap Year Portugal, ajudando e desafiando outros jovens a descobrirem o poder do voluntariado.





Sempre encarei a faculdade como um “período para testar e errar”, uma zona de conforto que nos permite arriscar novos projetos e testar ideias que nos vão surgindo, com uma rede de suporte como são (ou devem ser) as faculdades. Foi assim que, enquanto dirigente do Núcleo de Serviço Social criei com um grupo de grandes amigos projetos como a Revista MAIS Social ou o FelizIdade(s).


No meu último ano de licenciatura desenvolvi o meu estágio final de curso no Brasil, na área do Desenvolvimento Comunitário, no apoio a famílias dos bairros sociais de Montes Claros, estado de Minas Gerais. Dessa experiência ficou uma grande admiração pelo povo brasileiro, em particular das famílias com quem nos cruzámos, que fazem das adversidades, forças, e seguem lutando com um sorriso no rosto. É ao Brasil que “volto”, regularmente e à distância, para me encher de motivação e força e deixar-me levar pela alegria contagiante de um povo.


Há ainda a somar uma experiência que marcou as minhas experiências de voluntariado num campo de refugiados em Lesbos, através da ONG ERCI- Emergency Response Centre International. Para tal desenvolvi o projeto “Grão a Grão”, no qual, através de jantares comunitários, angariei fundos para a minha presença em Lesbos e sensibilizei para o grave problema humanitário que enfrentamos.



Foi este contexto que me motivou a seguir o Mestrado em Estudos de Desenvolvimento, que concluí em 2019, com uma tese focada no Desenvolvimento Sustentável, onde explorei a relação entre o Serviço Social e a Sustentabilidade Ambiental.


Em 2017 entrei no GRACE, uma associação empresarial que reúne cerca de 160 empresas, que tem como missão apoiar na implementação e desenvolvimento da Responsabilidade Social Corporativa do tecido empresarial português. No GRACE coordeno o Programa de Voluntariado Corporativo e sou responsável pela articulação com organizações sociais e entidades públicas. Tem sido uma experiência gratificante e uma oportunidade de conhecer a realidade da Responsabilidade Social e Sustentabilidade em Portugal, no papel que as empresas podem ter, no apoio aos seus colaboradores, assim como na ligação com as organizações sociais, privilegiando sempre o trabalho de parceria, de forma a potenciar e maximizar o impacto social das organizações".


Se ficaste com gosto por seguir mais sobre o Afonso aproveita e lê a sua rubrica "Ser Voluntário..." no Público, os seus artigos no W360 e no Jornal Torrejano.



Carrega sobre as imagens para ler mais detalhes.


Lições de vida

-do Afonso para nós-


1. A importância de trabalhar em parceria

Mais do que nunca, numa vertente de otimização dos recursos disponíveis (muitas vezes escassos) e de criação de valor nas comunidades, é imprescindível trabalharmos em parceria, ainda para mais num país pequeno e com tantas organizações a atuar no terreno, como é o caso português.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável lembram-nos essa prioridade através do ODS 17. Só através de trabalho colaborativo, de partilha de forças e competências é que conseguiremos dar resposta a problemas sociais complexos.

2. Encontra a tua tribo

Em todos os projetos que desenvolvi, o sucesso e impacto gerado por estes esteve sempre dependente da equipa que o constituíam. É importante rodearmo-nos, desde cedo, por pessoas que partilham dos nossos sonhos e motivação!

3. Calçar os sapatos do “outro”

Precisamos de desenvolver a empatia. De percebermos como os problemas sociais mundiais afetam comunidades inteiras e como somos todos responsáveis por desenvolvermos respostas e soluções para esses problemas comuns. Viajar e fazer voluntariado são excelentes aliados para isso.

4. O Voluntariado é uma escola de cidadania

O voluntariado é uma verdadeira escola de cidadania e de participação cívica e um autêntico complemento à formação académica, por nos fazerem olhar o mundo de outras perspetivas, para além da componente formativa que lhe está subjacente. Para mim foi o despertar para uma nova consciência social, mais centrada no bem-estar dos outros e na necessidade de preservarmos o meio que habitamos.

5. A escola que nos permite errar

Errar faz parte do processo e devemos encarar os erros como aprendizagens futuras. Gosto de perspetivar as escolas como o espaço seguro que nos permite errar e testar sonhos, ideias e projetos. Foi isso que tentei sempre fazer.



Boas Aventuras,

Joana Feliciano & Afonso Borga



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