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A urgência de não reprimir

A palavra reprimir remete-nos, desde logo, para a contenção, o controlo, a opressão ou proibição de algo. Não é necessário fazer uma análise muito profunda para que consigamos entender que não se trata de uma prática desejável – muito menos quando falamos de emoções.


Retrair o que sentimos só dificulta a nossa capacidade de gerir emoções. Quando tentamos mascarar a frustração e tristeza com um sorriso forçado apenas estamos a aplicar uma camada superficial de felicidade. É como se estivéssemos a colocar um bonito papel de parede numa parede em ruínas. Por muito disparatada que a situação nos possa parecer, o certo é que acabamos por nos obrigar a estar sempre felizes, não nos permitindo percorrer o leque de emoções que a vida nos proporciona. A tristeza, a raiva, o medo, a frustração, o nervosismo, a culpa, a deceção, o nojo.. são tão válidos quanto a felicidade, devendo haver espaço para que possamos experienciar cada um deles a seu tempo, de acordo com a nossa disposição.


Quanto mais nos obrigarmos a estar constantemente felizes, menos capacidades teremos e menos ferramentas conseguiremos mobilizar para lidar com todas as outras emoções. Acabamos por criar uma bola de neve, porque não vamos conseguir anestesiar com felicidade todas as fases da nossa vida. É urgente não reprimir, e é urgente normalizar todo o tipo de emoções, de forma a reconhecer a sua importância e aprender a lidar com as mesmas. E mais do que reconhecer a situação, urge também aplicá-la em contexto prático. Por exemplo, educar uma criança para evitar chorar porque "não dói nada", "chorar é feio" ou "pronto, já passou" só faz com que criemos adultos reprimidos, pouco resilientes.

Não é natural estar feliz 24 horas por dia, 7 dias por semana. Há que deixar fluir as emoções e aliar essa permissão à aprendizagem de como lidar com elas.



Vemo-nos no próximo nível?


Beatriz Bernardo




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