Põe os olhos em ti

Atualizado: Mar 25

Saibam que, com maior ou menor frequência, vão enfrentar pensamentos autodestrutivos. Eles vão chegar em força. Mas não varram para debaixo do tapete. Trabalhem essa voz interior; adaptem o discurso. E comecem já, no momento em que leem estas palavras. Não digam que é difícil; imponham, antes, que são capazes.




Vamos falar de Amor. Uma breve pesquisa no dicionário é esclarecedora o suficiente. O “amor” corresponde a um sentimento que nos induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual sentimos uma afeição ou atração. É bem provável que saibam como é. Aquela pessoa é o “mundo”. Minimizamos defeitos. Exageramos qualidades. E quando nos olhamos ao espelho? Em muitos casos, a ordem das coisas inverte-se. E encontramo-nos perante um amor muito mais duro de conquistar: o amor próprio. A auto-estima.


Façam um exercício simples. Peguem numa caneta e num papel. Anotem todas as vossas virtudes. É (ou parece) difícil, mas a lista é, certamente, longa. O desafio está em ver além do nevoeiro que criamos interiormente. Vejam nas minhas palavras algo mais do que uma injeção de esperança e de motivação; vejam factos. Passo a explicar: por dia, formulamos milhares de pensamentos. Serão mais de 50 mil. E, a cada pensamento, associa-se uma emoção. Poderão, por isso, ter uma ideia do que é vivermos - pensarmos - com uma má imagem da nossa pessoa; do nosso ‘Eu’. Cria-se uma cegueira emocional: aparentemente, não somos bons. Ou, pelo menos, não somos tão bons. Falhamos demasiado e desistimos facilmente. Somos pouco apreciáveis. Cria-se, enfim, uma baixa auto-estima. É mentira. É uma mentira fabricada por nós. Peguem no papel. Assimilem as vossas qualidades e reconheçam o vosso potencial. Ele está lá.


Nem sempre é fácil. É verdade. Uma infância mais conturbada, por exemplo, pode condicionar essa missão. De facto, um núcleo familiar ou social mais ‘derrotista’ e desincentivador pode determinar, desde cedo, uma auto-estima fragilizada. “Põe os olhos em A ou B”. Muitos ouvem-no. E as consequências são pesadas: ansiedade, insegurança, baixa estabilidade emocional, medo de arriscar, falta de amor próprio. Hoje, na ‘Era da Selfie’, em que somos obrigados a ser mais e melhor - e em que a vida do outro lado do ecrã é perfeita - estão, também, criadas as condições para nos identificarmos como inferiores.


Mas quem manda, afinal, em nós? Não é o passado nem o presente. Não são os outros. Saibam que, com maior ou menor frequência, vão enfrentar pensamentos autodestrutivos. Eles vão chegar em força. Mas não varram para debaixo do tapete. Trabalhem essa voz interior; adaptem o discurso. E comecem já, no momento em que leem estas palavras. Não digam que é difícil; imponham, antes, que são capazes. Pratiquem a autovalorização, aceitando o erro e a crítica. E nunca, em circunstância alguma, assumam que o vosso sucesso só é alcançado quando superarem ou, no limite, igualarem o de outros. Somos todos um contexto muito particular. E cabe a nós - só a nós - escrever a nossa história. A grande diferença - e a parte mais fascinante - está no facto de podermos escrevê-la com força de espírito. O espelho agradece.




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